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Até onde vai nossa capacidade de perdoar?

 

Por vezes, uma palavra que nos ofendeu ou um gesto que nos foi dirigido, causa profunda mágoa.

 

Então, nos afastamos do causador de tal mal e, ao simples recordar dele nos desequilibramos.

 

Eleva-se nossa pressão arterial, o coração parece saltar do peito, em destempero.

 

Que se poderia esperar, então, de um coração de mãe que teve seu filho de dezessete anos assassinado?

 

O jovem fora se encontrar com os amigos. Por ter se atrasado, à conta do seu trabalho profissional, os amigos, por brincadeira, lhe aplicaram uma multa.

 

Ele deveria fazer dez flexões no ginásio da escola.

 

Enquanto ele pagava sua multa, em meio à algazarra dos colegas, um outro grupo de adolescentes, do outro lado do ginásio, entendeu aquilo tudo como uma provocação.

 

Instalou-se o desentendimento e, no ardor do tolo confronto, Yang, de quinze anos, cravou uma faca no peito de Teng De.

 

O coração de mãe se despedaçou. Nada a confortava. Desejava que Yang e sua família morressem.

 

Começou a seguir seus pais. Foi aí que viu a mãe de Yang vendendo magnólias no meio do trânsito intenso.

 

O pai, que tivera a mão amputada em um acidente de automóvel, usava o braço bom para vender as flores, receber o dinheiro e fazer o troco.

 

Pela primeira vez, Lin sentiu empatia por eles: eram tão pobres quanto ela.

 

Eram obrigados a vender flores pelas ruas para pagar a indenização imposta pelo tribunal.

 

Quase dois anos depois, os pais de Yang a visitaram. Ajoelhados, foram implorar perdão pelo gesto tresloucado do filho.

 

Então, o que restava do ódio e da raiva de Lin se desfez. As duas mães se abraçaram.

 

Certa noite, Lin sonhou com seu filho que lhe disse: Mãe, estou bem, não fique mais preocupada comigo.

 

Viver com ódio dentro de você faz mal para sua saúde. Por favor, cuide-se, por mim.

 

Quando Lin acordou, pensou no rapaz preso e o foi visitar.

 

Três anos se haviam passado. O jovem estava mais alto, continuava magro.

 

Ao vê-la, ele pediu licença para abraçá-la e, em pranto convulsivo, pediu perdão: Sinto muito. Eu errei. Sinto muito.

 

As palavras soltaram as correntes de ódio e sofrimento que prenderam por tanto tempo o coração de Lin.

 

Naquele mesmo instante, a sua alma algemada se libertou. Quando Yang saiu da prisão, após seis anos, em liberdade condicional, se dispôs a trabalhar para pagar a indenização.

 

Ela o aconselhou a estudar. A indenização pode esperar, falou.

 

Não me arrependo de ter escolhido o perdão, diz ela, com firmeza.

 

Perdi meu filho, mas não quero que o meu ódio faça com que outra criança ferida pela culpa se perca.

 

Graças ao perdão de Lin, o rapaz está hoje no terceiro ano da universidade.

 

E o coração de Lin ficou em paz.

 

* * *

 

Sabiamente ensinou o mestre de Nazaré: Perdoai aos homens as faltas que cometerem contra vós...

 

Redação do Momento Espírita

 

Com base no artigo Um ato imprevisível,

de Leslie Lin, de Seleções Reader´s Digest.

Ssetembro de 2011.

Em 10.05.2012.

 

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